Utilidades e inutilidades presenciadas por mim
Medicina
Álcool é mais prejudicial do que a heroína ou o crack, diz estudo
22/12/10
Um estudo britânico que analisou os danos causados aos usuários de drogas e para as pessoas que os cercam concluiu que o álcool é mais prejudicial do que a heroína ou o crack.
O estudo divulgado na revista científica Lancet classifica os danos causados por cada substância em uma escala de 16 pontos.
Os pesquisadores concluíram que a heroína e a anfetamina conhecida como “crystal meth” são mais danosas aos usuários, mas quando computados também os danos às pessoas em volta do usuário, no topo das substâncias mais nocivas estão, na ordem, o álcool, a heroína e o crack.
O cigarro e a cocaína são considerados igualmente nocivos também quando se leva em conta as pessoas do círculo social dos usuários, segundo os pesquisadores. Drogas como LSD e ecstasy foram classificadas entre as menos danosas.
Apolítica
Um dos autores do estudo é David Nutt, que ocupou o cargo de principal conselheiro do governo britânico para a questão das drogas.
Após deixar o posto, no ano passado, ele formou o Comitê Científico Independente sobre Drogas, instituição que se propõe a investigar o tema de forma apolítica.
O professor Nutt afirma que “considerados os danos totais, o álcool, o crack e a heroína são claramente mais prejudiciais que todas as outras (substâncias)”.
“Nossas conclusões confirmam outros trabalhos que afirmam que a classificação atual das drogas tem pouca relação com as evidências de danos”, diz o estudo.
“Elas também consideram como uma estratégia de saúde pública válida e necessária o combate agressivo aos males do álcool.
Fonte: TheLancet
Anvisa recomenda isolar pacientes com KPC
26/10/10
Hospitais devem isolar pacientes que apresentem KPC ou estejam contaminados por outras bactérias multirresistentes pouco frequentes em instituições de saúde no País. A recomendação integra a nota técnica divulgada hoje pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), preparada depois de uma reunião na sexta-feira com infectologistas e especialistas em infecção hospitalar.
O documento ressalta a necessidade de se evitar qualquer medida que induza a discriminação do paciente, mas orienta o hospital a avaliar a necessidade de reservar tanto material quanto profissionais para tratar exclusivamente de pessoas eventualmente infectadas.
“É preciso avaliar caso a caso. Há bactérias multirresistentes que já são frequentes nos hospitais. Nesses casos, o isolamento não é necessário”, afirma a professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo, Ana Cristina Gales, que participou das discussões.
O documento foi preparado num momento em que o País convive com aumento do número de casos de infecção hospitalar provocada pela KPC. A superbactéria, resistente a maior parte dos antibióticos usados no País, contaminou 246 pacientes no País desde 2009. O maior número de registros está concentrado em Brasília: 154 pacientes com infecção confirmada.
O documento traz medidas para evitar a proliferação de outras superbactérias que, assim como a KPC, são resistentes ao antibiótico carbapenem. Pacientes vindos de hospitais do exterior ou que recentemente permaneceram internados em instituições fora do País deverão ficar área isolada. A medida tem como objetivo evitar a proliferação em hospitais brasileiros das bactérias NDM ou VIM, que se disseminam em outros países e que preocupam autoridades sanitárias em várias partes do mundo.
Fonte: Yahoo
Luto precisa ser vivido
27/06/10
Faz pouco tempo, fui procurado em minha clínica por uma senhora de 82 anos, com quem entabulei o seguinte diálogo:
SENHORA: – Doutor, soube de algumas coisas que o senhor tem falado nas palestras que deu na UNIRIO e quis vir aqui lhe fazer uma pergunta.
EU: – Pois não, faça.
SENHORA: – Não. Antes quero relatar algumas coisas.
EU: – À vontade.
SENHORA: – Doutor, quando eu tinha sete anos de idade, morreu uma pessoa de minha família. Os parentes vestiram-se de preto e as demais pessoas mantiveram uma distância respeitosa dos que estavam de luto.
EU: – Sim.
SENHORA: – Depois, quando fiz dezoito, morreu outra. Percebi que poucos se vestiram de preto. A maioria dos homens, por exemplo, colocou apenas uma tarja preta na lapela de seus ternos. Mais uma dúzia de anos, e morreu outra. Aí, nem tarja na lapela. Pois bem, eu casei aos dezessete anos. Meu marido foi o único homem de minha vida e eu fui extremamente feliz com ele, que faleceu faz quatro meses. Um mês depois, nosso único filho se suicidou. E as pessoas estão me pressionando para que eu não fique triste, não chore, me distraia e “fique bem”. Agora eu posso fazer a pergunta.
EU: – Qual é a pergunta?
SENHORA: – É a seguinte: o que houve com as pessoas? Eu estou maluca ou TODO MUNDO FICOU IDIOTA?
EU: – Não, minha senhora, a senhora não está maluca, TODO MUNDO FICOU IDIOTA.
SENHORA: – Ah, eu já desconfiava. Só queria confirmar. Obrigado, doutor.E a velhinha, que, por tudo que me relatou, havia vivido uma vida feliz e saudável, nunca mais voltou a meu consultório… E, no que diz respeito à própria saúde, ela tinha razão: só podendo sentir completamente a dor de nossas perdas podemos seguir inteiros nossa caminhada. Voltarei sobre isso.
Texto que encontrei no site do portal UOL escrito pelo psicólogo Luís Cesar Ebraico.
Introdução a Bioética
08/06/10
Bioética é um estudo sistemático da conduta humana no âmbito das ciencias da vida e da saúde analisadas à luz dos valores e princípios morais (Enciclopedia de Bioética). Enfim, bioética é a parte prática que estuda os problemas morais relativos ao início, ao meio e ao fim da vida.
PRINCIPIALISMO
É a teoria ética prática normativa que estabelece os fundamentos para a bioética. Considerada Prima facie, isto é, possuem validade a primeira vista, mas não são absolutos.
Respeito à autonomia das pessoas – consentimento livre e esclarecido dos indivíduos alvo e a proteção a grupos vulneráveis e aos legalmente incapazes.
Um profissional da saúde deve respeitar as escolhas e decisões de seus pacientes: fale a verdade; respeite a privacidade dos outros; proteja informações confidenciais; obtenha consentimentodos pacientes para fazer intervenções; quando solicitado, ajude a tomar decisões importantes.
Não-maleficência – garantia de que danos previsíveis serão evitados.
O profissional da saúde, se não pode fazer o bem curando um paciente, ao menos deve evitar causar-lhe mal.
Beneficência – ponderação entre riscos e benefícios, tanto atuais como potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos.
Devemos agir em benefício dos outros: proteger e defender o direito dos outros; previnir dano; remover as condições que irão causar dano; ajudar pessoas deficientes; salvar pessoas em perigo.
O tipo de beneficência esperado do profissional da saúde em relação ao paciente é o específico. Tem o dever, estabelecido a partir do juramento hipocrático, de agir em benefício do paciente. Ele não faz “caridade”, cumpre o dever da beneficência.
Justiça e equidade – relevância social da pesquisa, com vantagens significativas para os sugeitos da pesquisa e minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis, o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária.
O orçamento destinado a saúde deve ser elaborado segundo diferentes necessidades: as de tratamento e as preventivas.
Resumo do livreto BIOÉTICA do autor Darlei Dall’Agnol


